sábado, março 15, 2008

Entret. e cultura a 15/03 - Filmes

The Devil Came On Horseback (2007) (Documentário)













Brian Steidle, um ex-capitão dos marines norte-americanos, procurava um emprego. Um dia, encontrou na internet um classificado: dizia “patrol leader Sudan”. Pareceu-lhe bem, e agarrou imediatamente a oportunidade. Chegado ao Sudão, e após verificar a situação em que o país se encontrava, pediu que o enviassem para o Darfur.

O impacto foi superior a qualquer coisa que pudesse ter imaginado: apanhado no meio de uma ‘operação de limpeza’ por parte do governo árabe em direcção aos habitantes negros do território, Steidle sentiu-se impotente.

Não tinha armas, apenas uma câmara fotográfica, que usou para conseguir imagens tão privilegiadas quanto horríveis. Eventualmente, desistiu, voltando aos Estados Unidos com uma nova missão, a de alertar o país para as atrocidades que diariamente ocorrem naquela parte do globo e lutar para conseguir uma solução. Essa missão continua ainda hoje...

Pessoalmente este documentário tem uma coisa muito boa e outra muito má. A primeira coisa e sendo a boa, faltam documentários agressivos de atrocidades existentes no Mundo mais concretamente em África, berço da humanidade mas abandonada pelos seus filhos mais "evoluídos"- e este trouxe um desses episódios á luz do dia. A coisa má é que nota-se a "americanização" do documentário, tanto na orientação da mensagem a transmitir tal como a demasiada humanização do interveniente deste documentário que em certas vezes parece mais o foco da história que o contador da mesma.

Don't Look Now (1973) - Aquele Inverno em Veneza













John e Laura Baxter, um casal fragilizado pela recente morte da sua pequena filha deixam Londres e partem para Veneza. John vai trabalhar no restauro de uma igreja antiga. Eles fogem ao seu drama pessoal e procuram refúgio na cidade italiana. A sua fuga ao ambiente onde decorreu a tragédia pareceria uma solução ideal mas em Veneza eles vão encontrar algo mais de terrível e de inevitável. O perigo, esse não se sabe bem de onde pode vir.

Um filme inquietante que com laivos de sobrenatural, marca o passo sem pressas e vai-se encandeando como as peças de um puzzle, criando um sentimento de angústia e de medo sem sequer entrar no reino do Terror. Muito bem conseguído.

Os próximos 2 filmes são mais 2 peças de mais uma noitada com pessoal amigo para mais alguns filmes no mínimo inquietantes e no seu extremo, completamente doidos...

No Country for Old Men (2007) - Este País Não É Para Velhos














Baseado no romance homónimo de Cormac McCarthy, o premiado autor americano, "Este País Não é Para Velhos" é um hipnótico "thriller" dos irmãos Coen, os realizadores de "Fargo" e "Barton Fink". Nos dias de hoje, os ladrões de gado deram lugar a traficantes de droga e as cidades pequenas tornaram-se campos de batalha. Llewelyn Moss (Josh Brolin) descobre uma carrinha, rodeada por cadáveres, com um carregamento de heroína e dois milhões de dólares em dinheiro. Moss resolve ficar com o dinheiro e o seu acto desencadeia uma série de acontecimentos extremamente violentos, que nem mesmo a lei, na figura do velho e desiludido Xerife Bell (Tommy Lee Jones), consegue travar.

À medida que Moss procura fugir aos seus perseguidores, sobretudo a um misterioso homem (Javier Bardem) que atira uma moeda ao ar para decidir se poupa ou não a vida aos seus inimigos, o filme retrata de forma dramática temas tão antigos como a Bíblia e as manchetes sanguinárias dos jornais. "Este País Não é Para Velhos" foi nomeado para oito Óscares, vencendo quatro: melhor filme, melhor realizador, melhor actor secundário e melhor argumento adaptado.

Um filme sobre o coração dos EUA, tanto socialmente como em sentimento, conseguído com o passo habitual dos Coen (lento) mas com arranques repentinos de uma violência extrema. O filme é ambiguo e carece de análise detalhada de quem o vê - Recomendado

Survive Style 5+ (2004)













Último filme da noite.

5 histórias acontecem simultaneamente, um homem sistematicamente a tentar e a falhar que a sua esposa se mantenha morta, uma publicista em devaneios mentais com cada ideia sem sentido que tem, um assassino Britânico que quer saber qual a função de cada pessoa na vida, uma família cujo homem é hipnotizado durante uma sessão ao vivo que passa a viver o resto da sua vida como uma ave e um grupo de adolescentes sem vida útil cujo um dos elementos tem uma fixação por outro do grupo.

Todas estas histórias que parecem autónomas acabam por interligar em qualquer ponto. A experiência visual é fascinante com design em tons garridos quase em tom de manga psicadélico. Uma loucura bem divertida.

Suay Laak Sai (2007) -Sick Nurses














Num hospital suburbano de Bangkok, Dr. Tar e 7 enfermeiras"sexy" têm montado um esquema de tráfico de corpos. Dr. Tar namora com uma dessas enfermeiras mas esta descobre que ele tem um caso com a irmã e em fúria tenta acabar com o esquema contando tudo à polícia. Antes de o conseguir fazer é apanhada pelas restantes enfermeiras e pelo Dr. Tar e acaba por ser morta e transformada em mais um corpo a vender. A venda atrasa-se e as coisas começam a correr mal, o espírito da enfermeira volta para se vingar.

O filme avizinhava-se de terror mas acabei por o achar mais divertido que assustador, penso que esteja mais dentro da comédia negra e com toques de "exploitation". Não é suposto trazer nada de novo mas a realização surpreendeu-me pela positiva.

Houhokekyo Tonari no Yamada-kun (1999) - My Neighbors the Yamadas













Baseado na BD de Hisaichi ISHII, este filme conta o dia a dia da família Yamada - Takashi e Matsuko (pai e mãe), Shige (mãe de Matsuko), Noboru (filho), Nonoko (filha) e Pochi (cão da família).

Sendo um dos raros filmes dos estúdios Ghibli que não havia visto, na sua grande parte pelo design muito cartoon e pinturas de guache o que me deu muitas dúvidas, finalmente ultrapassei a discriminação e vi esta obra de Isao Takahata (Grave of the Fireflies).

Tal como deveria esperar esta foi mais uma pérola que havia ignorado por demasiado tempo. O próprio estilo "cartoon" assenta como uma luva no que se quer apresentar. O humor está muito bem conseguido e bastante inteligente, no fundo basta colocar as aventuras e desventuras que todos nós passamos ao longo da vida em família com tudo de bom e de mau que trás e evita a comédia fácil e descartável que na maioria das vezes se vê nas peliculas que povoam os cinemas - Altamente recomendado para os verdadeiros amantes do animé japonês (os veteranos)

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